Sob o tema “Livros, bibliotecas e lugares de memória luso- brasileiros”, 12º Colóquio do PPLB marca os 25 anos do Polo de Pesquisas Luso-Brasileiras
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Sob o tema “Livros, bibliotecas e lugares de memória luso- brasileiros”, 12º Colóquio do PPLB marca os 25 anos do Polo de Pesquisas Luso-Brasileiras

Realizado entre os dias 14 e 16 de abril de 2026, o 12º Colóquio do Polo de Pesquisas Luso-Brasileiras (PPLB) reuniu pesquisadores, escritores, artistas e estudiosos das relações luso-brasileiras em uma ampla programação acadêmica dedicada a discutir o papel dos livros, bibliotecas e lugares de memória na preservação e difusão do patrimônio cultural compartilhado entre Portugal e Brasil.

Organizado pelo Real Gabinete Português de Leitura e pelo Liceu Literário Português, com apoio do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literaturas da UFF e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, o encontro teve significado especial neste ano ao marcar os 25 anos de criação do PPLB.

A abertura do evento aconteceu no Real Gabinete Português de Leitura, com a presença de autoridades, pesquisadores e convidados. Participaram da mesa de abertura o Presidente do RGPL, Francisco Gomes da Costa; a Embaixadora de Portugal no Brasil, Isabel Brilhante Pedrosa (por videoconfêrencia); a Cônsul-Geral Adjunta de Portugal no Rio de Janeiro, Ana Rita Ferreira; a Diretora Vice-Presidente Cultural do RGPL e do Centro de Estudos, Gilda Santos; e os coordenadores do Colóquio, Eduardo da Cruz e Andreia Castro.

Ainda no primeiro dia, a mesa “Rio de Janeiro, Capital Mundial do Livro”, mediada por Eduardo da Cruz, abriu os debates com palestras de Rodrigo Xavier e Elisabeth Martini. A programação reuniu também nomes como Paulo Knauss, Sérgio Nazar David, Jorge Valentim, Renata Soares Junqueira, Paulo Sales e Lilia Schwarcz, em um rico espaço de trocas e diálogos sobre literatura, imprensa, ensino, arte e espólios e acervos históricos e literários luso-brasileiros.

Um dos destaques da programação foi a conferência “A Real Biblioteca e o processo de independência brasileira”, ministrada por Lilia Schwarcz, com mediação de Suely Campos Franco. Em sua fala, a pesquisadora abordou a transferência da Real Biblioteca para o Brasil em 1808, com a vinda da Família Real portuguesa para o Rio de Janeiro, refletindo sobre o impacto simbólico e político desse acervo na formação do país. Para a historiadora, a incorporação da biblioteca pelo Império do Brasil representou uma espécie de “outra independência”, protagonizada pelos livros e pelo valor simbólico de uma instituição que pretendia reunir “todos” os saberes — e cuja permanência em território brasileiro implicou elevados custos para o novo Estado.

O segundo dia do encontro foi realizado no Centro Cultural do Liceu Literário Português, em Laranjeiras, e teve como destaque as diversas mesas de comunicações, que reuniram pesquisadores e estudantes de diferentes regiões do Brasil em torno de perspectivas acerca das relações luso-brasileiras. A sessão plenária da tarde abordou o tema “Ensino de Literatura Portuguesa no Brasil e Brasileira em Portugal”, sob mediação de Madalena Vaz Pinto. O debate contou com contribuições de Carlos Henrique Fonseca e Vima Lia de Rossi, que trouxeram reflexões instigantes e um rico debate sobre práticas, desafios e perspectivas no campo da educação.

Encerrando a programação, o terceiro dia marcou o retorno das atividades ao Real Gabinete Português de Leitura, com mesas dedicadas às relações entre turismo, literatura, livros, bibliotecas, artes visuais e música.

Entre os destaques esteve a mesa “Diálogos contemporâneos luso-brasileiros”, mediada por Monica Xexéo, que reuniu artistas e estudiosos para refletir sobre as conexões entre artes visuais, música e literatura na contemporaneidade.

A escritora Eliana Alves Cruz, vencedora do Prêmio Jabuti de Contos em 2022, refletiu sobre a relação entre sua obra e a história negra no Brasil a partir das investigações sobre suas origens familiares. Já Beatriz Milhazes, uma das artistas brasileiras de maior projeção internacional, apresentou reflexões sobre seu processo criativo, com ênfase nos projetos desenvolvidos em cidades como Lisboa, Veneza, Londres, São Paulo e Viena. Encerrando a mesa, o músico André Conforte analisou as trocas entre as canções populares lusitana e brasileira como expressão de uma lusofonia construída nas práticas culturais.

Também tiveram destaque as participações internacionais das professoras Sílvia Quinteiro, que discutiu os desafios do turismo literário para cidades como o Rio de Janeiro, e Vanda Anastácio, que abordou a formação da Biblioteca de Estudos Humanísticos de José Vitorino de Pina Martins, renomado filólogo e pesquisador português.

O encerramento do colóquio ficou marcado pela apresentação musical de André Conforte, que celebrou, por meio de um repertório luso-brasileiro, os laços culturais e históricos que aproximam Brasil e Portugal.

 

📷 Raquel Soares/RGPL

 

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